Monday, December 26, 2005

Morte de Derek Bailey

O genial músico, que marcou indubitavelmente o free jazz faleceu no dia de natal. "Carpal Tunnel" é o seu último presente para nós.

O canal auditivo agradece ao genial músico tudo o que nos ofereceu.

Thursday, December 22, 2005

Melhores de 2005 (continuação)

Mike Ladd - Negrophilia The Album

Antes de mais explicar a origem do conceito do disco - livro de Petrine Archer-Straw's sobre o fascínio sobre a cultura negra dos anos 20 - funcionando com um ponto de partida para este disco. Com a colaboração da comitiva da Thristy Ear, surge um disco de colagens, de fragmentos, onde Mike Ladd funciona como elo de ligação entre breakbeats, solos de piano insano, manipulações electrónicas...Tudo sob o fio condutor do jazz, na sua vertente mais livre, mais solta e mais bela.

Melhores de 2005

Nestes próximos dias vou escrever sobre os discos que mais me marcaram...não sei sobre quantos discos vou escrever...À medida que vou me lembrando vou adicionando discos.
E vou começar com:

Colder - Heat

“Heat” vive da capacidade de recriação do passado, são sons todos familiares, tudo parece já ser conhecido, mas o resultado final é originalidade minimalista. É uma música calculista e fria...sem no entanto ser linear ou repetitiva. “Losing Myself” gira à volta de uma poderosa linha de baixo, dando o mote do disco. “To the Music” faz qualquer mortal iniciar uns passos de dança. “Tonight” serve o Dub à moda de Colder, muito minimalista e nada tropical. Já “On my Mind” temos um lado mais sombrio e até fantasmagórico. Colder vulgo Marc Nguyen assume-se com uma certeza da música electrónica.

Sunday, December 11, 2005

WAYNE'S WORLD

Mais um grande disco de um grande senhor...

Wayne Shorter - Footprints Live

Wayne Shorter é uma figura mor do Jazz, que regressa ao mais alto patamar, após alguns anos de indefinição e/ou trabalhos menos conseguidos, sendo esse regresso razão de regozijo dos amantes do Jazz, pois Shorter é um músico ímpar, e do qual o Jazz precisa ao mais alto nível.

Shorter é um génio, um predestinado, uma figura que terá sempre um lugar de destaque na história do Jazz...Curioso é que seja necessário esperar até 2002 após tantos anos de carreira e tantos álbuns lançados para podermos desfrutar uma gravação ao vivo desta lenda viva do Jazz.

Reunindo gravações feitas em 2001, sob a forma de quarteto, (Brian Blade, John Patitucci e o brilhante Danilo Perez) traz-nos uma retrospectiva da sua obra, sem que isso signifique qualquer barreira cronológica ou transição chocante, visto tudo andar em redor do saxofone de Shorter, que o domina, como se fossem uno, numa música misteriosa, intrigante e bela. Belo é também o entendimento, a alquimia entre o grupo, que se sente momento a momento, improviso a improviso, nota a nota...numa claro troca de ideias, de "disputas", de provocações, que muitas vezes terminam em pleno êxtase. Shorter está magnifico, cria, reinventa, dá o mote, dá a base onde Danilo se mostra atrevido e em plena forma, Blade subtil e forte enquanto Patitucci não destoa, mostrando-se poderoso. Aqui está provavelmente o segredo do álbum, a empatia telepática destes músicos, numa sensibilidade e bom gosto que nunca descamba. A ter que destacar uma música deste leque tão homogeneamente acima da média, "Go" seria a opcção, na sua derivação rítmica afro, ou o hipnótico "Footprints", ou o inesquecível "Juju"...Ou será muito cruel ter que escolher e deixo-vos a vocês essa árdua tarefa. Eu apenas posso dizer que este álbum que Shorter constrói como se fosse um concerto único e contínuo começa por cativar pela sua inteligência e audácia, mas perdura por conseguir penetra-nos no coração, onde apenas são permitidas obras de força maior, de uma evidente e forte inteligência emocional.


* texto previamente escrito na webzine Bodyspace www.bodyspace.net

Saturday, December 10, 2005

SUECAS ALTAS E LOIRAS

Não são suecas nem loiras...são suecos e são altos, logo fica empatado

Koop - Waltz For Koop


Não se deixem enganar! Este não é um álbum electrónico com suaves lampejos de jazz... É Jazz, exala Jazz por todos os seus poros, sendo os samples, as percursões meras “desculpas” para salientar todos os requintes e esplendor deste Jazz moderno. Preparem-se para um álbum, que daqui a uns anos vai ser encarado como um clássico, uma obra-prima. É só deixar o tempo correr e assistir à influência e larga descendência que este álbum irá provocar.

A história começa na estudantil cidade de Upsala, onde Oscar Simansson era músico de Jazz e Magnus Zigmark trabalhava como DJ e director de alguns clubes de dança. Após algumas colaborações da banda de Oscar no clubes de Magnus, dá-se a partida para Estocolmo. Surgem os Koop, e com eles “Sons of Koop”, um disco denso, profundamente electrónico, onde começam os estudos de combinações de “loops” com samples de mil e um feitios.

Mas não ficaram totalmente satisfeitos, sentiram a falta de uma estrutura, uma base mais próxima das canções, e iniciam em 1999 a produção de “Waltz for Koop”.
“Waltz for Koop” deve ao Jazz, à sensibilidade Pop, aos instrumentos ao vivo, ao impressionante cartel de vocalistas (desde o mítico Terry Callier à desconhecida Yukimi Nagano, agora considerada uma nova diva), toda a sua paixão, sedução, perfeição... Com influências díspares como o Tecnho de Detroit (Magnus) ou o Acid-House (Oscar) os Koop souberam entender o Jazz, sentir o seu ritmo e daí produzir uma música límpida, inovadora e elegante. Voltaram às origens quanto à duração do álbum (à volta de 30 minutos), naqueles que porventura serão os minutos mais ricos, mais arrebatadores que alguma vez ouvi... Porque há discos assim, que música a música vão elevando o patamar, patamar esse que vai constantemente sendo ultrapassado. Discos que música a música nos surpreendem, nos quais não detectamos uma falha, uma nota mal colocada... Aí sorrimos! Encontramos o tal disco, que revoluciona uma vida, que rompe contextos, que indica o caminho do futuro, que nos faz gastar exaustivamente o botão Repeat...

Colocamos o disco. E de repente, é Verão! “Summer Sun” irradia pela sala, enchendo-a de luz. Os nossos corpos dilatam por acção do fortes raios de luz. “Modal Mile” é suspense, é mistério. São variações rítmicas, pausas inquietantes, que nos fazem salivar (qual reflexo de Pavlov) pela continuação das batidas, tudo sob o comando do astuto Earl Zinger. O disco apaixona, vicia... Especialmente em “In a Heartbeat”, que invade o nosso corpo, possuindo-nos, alterando o nosso ritmo cardíaco, que num instante entra em simbiose com a batida (do coração) dos Koop. É profunda a voz de Callier, traz a sua alma entremeada nas notas. Seduzidos, talvez hipnotizados seguimos para a dança. “Relaxing at the Club F****”, são mil e uma cores, são ritmos que invadem a pista, fazendo qualquer camaleão corar de inveja.

Eu não me deixei enganar, pois este não é um já habitual álbum onde o jazz aparece diluído em “beats’n’clicks”, é Jazz Moderno. Acreditem que nunca o Jazz me soou tão apetecível.

* texto previamente escrito na webzine Bodyspace www.bodyspace.net

No Sony NW-HD5 de momento

Colder - Heat
Maria Rita - Segundo
Skalpel - Konfusion
Sofa Surfers - Sofa Surfers
Keith Jarrett Trio - The Out Of Towners

Espero em breve ter tempo para vos falar melhor de alguns destes...

INAUGURAÇÃO

Há uns tempos atrás começei a escrever para a webzine Bodyspace www.bodyspace.net (que entretanto abandonei) e foi este o meu primeiro texto. COmo tal aproveito para iniciar novamente com este disco. Porque não começar da mesma forma...

Gianluigi Trovesi - Dédalo

O que é um dédalo?! Para perceber a pergunta necessitamos de perceber quem é Trovesi, de onde veio, por quem foi marcado...
Gianluigi Trovesi personifica uma mente aberta, um visionário, um verdadeiro compositor moderno, no verdadeiro sentido do termo, cujo conceito de Jazz soube evoluir quebrando limites e preconceitos. Claramente influenciado por grandes figuras Afro-Americanas, como Ellington e Armstrong, não se coibiu de procurar mais fontes de inspiração, sendo que o estilo experimental colhido na América é apenas um dos idiomas do poliglota Trovesi, que adiciona à sua música um toque contemporâneo (Zappa e Stravinsky) e até umas influências de musica tradicional da sua cidade natal (perto de Bergamo).
Dédalo é uma colaboração de Trovesi com Markus Stockhausen (Trompete), Tom Rainey (bateria), Fulvio Maras (percussão) e a WDR Big Band assinando uma autentica celebração orquestral de clássicos de Trovesi, percorrendo caminhos como o Jazz Progressivo e o Jazz Rock (anos 60 e 70) entre muitos mais, conseguindo a incrível proeza de condensar em apenas 70 minutos 70 anos de história, de uma forma fidedigna e brilhante...Daí que surja o nome Dédalo, que é sinónimo de Labirinto, visto ser terrivelmente fácil (basta comprar o disco) entrar no labirinto e ainda mais terrivelmente fácil e viciante perdermo-nos nos inúmeros caminhos que nos são propostos. Apenas me surge uma ressalva: neste labirinto não procuramos ansiosamente a saída mas sim entramos numa busca incessante de todos os trilhos possíveis (e acreditem que são muitos) em busca de novos sons ou combinações.
O álbum inicia-se com “Hercab” (que também termina o álbum em regime ao vivo, perante um público entusiasmado na edição do “Moers Music Festival”), que nos traz uma atmosfera divertida, cativante até cabaresca como que nos convidando a entrar no labirinto...Vamos a isso?
“Herbop” é uma autentica tempestade de cornetas combinadas com umas guitarras áridas, seguindo-se “Now I Can” que me recorda os Art Ensemble Of Chicago.
Antes de regressar o ambiente festivo, mesclado com ritmos do tango e de blues trazidos por “Scotch” temos um tributo a um amigo dos tempos de escola com a balada “From G to G”...Que caminhos mais nos são propostos neste labirinto? “Dances From The East No.2” traz o belo aroma do folk impregnado na melodia.
“Dédalo” inicia-se com uma forte guitarra muito Rock, sendo posteriormente acompanhada também a todo vapor pela WDR Big Band e por uma estrondosa bateria, da qual emerge Stockhausen num solo poderoso...estes foram os trilhos que eu já descobri mas concerteza que existem mais...
Este álbum é uma viagem fascinante, um autentico caleidoscópio de mundos e sons. Mundo esse, carregado de adrenalina que flui livremente (tal como o Jazz) no nosso corpo...Enfim é só deixar a adrenalina conduzir-nos pelo labirinto...e aproveitar a agressividade, a sofisticação e a elegância...É só deixarmo-nos perder no Dédalo!


* texto previamente escrito na webzine Bodyspace www.bodyspace.net

Bom site para descobrir novos sons...Recomendo também